Quando casei com minha terceira esposa, achei estranho o filho dela viver trancado no quarto, não querendo estudar e sempre com muito sono, pensei se tratar de uma fase, ou mesmo introversão, timidez, depressão, mas aos poucos fui descobrindo que ele era mesmo um psicopata que chantageava a mãe emocionalmente para conseguir atingir seus mais obscuros intentos.
Como pai de dois meninos e com formação acadêmica em Educação Física, já tendo dado aulas para crianças e adolescentes, percebi que alguma coisa estava errada na relação dos dois. Ela como médica precisava ausentar-se o dia inteiro, só voltando para casa à noite, ele sem regras e sem lei, passava as tardes como bem queria e eu, instalado no escritório dela para trabalhar (achamos melhor morarmos no apartamento dela que era perto do consultório e alugamos o meu), observava a rotina da casa e prudentemente não interferia, pois adolescentes não gostam de ter seu espaço invadido e, afinal de contas eu não era o pai dele.
A história deles era a seguinte: o pai do garoto é um irresponsável, diagnosticado como borderline, que não trabalha apesar de ter duas formações acadêmicas e vive às custas da mãe. Ela percebendo a furada em que havia se metido, agüentou calada tudo o que ele fazia e formou-se em medicina. Quando o menino fez 10 anos, pediu o divórcio. O cara se sentiu traído, na verdade, nem percebera que ela além de formada, já era mestra e doutora e trabalhava com um dos mais renomados médicos. da sua especialidade. O canalha, achando que se omitindo prejudicaria os dois, parou de pagar tudo, nem mesmo a pensão ou plano de saúde para o filho. Ela, muito orgulhosa, nunca pediu nada e mostrou para quem duvidava, que sozinha segurava a barra. Ele, com raiva passou a assediar o filho e a jogá-lo contra a mãe.
Como forma de compensar as ausências por conta do trabalho, o garoto cresceu criado por babás e que, nem sempre, eram as melhores companhias. Com elas, aprendeu a destruir o patrimônio do condomínio onde morava, aprendeu a fumar e interessou-se por drogas.
Quando cheguei, o quadro era o seguinte, descoberto dois anos depois de nos casarmos: ele dormia tarde da noite, ia mal nos estudos, dormia parte da tarde e a outra parte ficava com “amigos” na banca de jornal da esquina.
Um dia viajamos e ele ficou com pai e quando voltamos percebemos que alguém tinha entrado na casa (ele não tinha as chaves). Foi quando descobri, encontrando as pistas que ele deixou, que um chaveiro tinha feito uma cópia da chave, pois ele alegou que a perdera. Dei uma busca em seu quarto e descobri as evidências de que ele estava se envolvendo com drogas.
Dali pra frente nossa relação mudou e eu passei a lhe fazer oposição e a controlá-lo na parte da tarde exigindo que ele se ocupasse com algum esporte, aulas de reforço, inglês, música ou o que ele escolhesse e que fosse construtivo. Claro que isso foi conversado e a ordem partiu da mãe, mas ele sabia que a mãe estava sendo orientada por mim. Sozinha ela nunca faria isso. Deste dia em diante fui declarado seu inimigo.
Os dias passaram a ser desgastantes, minha produção caíra muito pq agora eu virara babá de um adolescente mimado, até o dia em que ele disse para a mãe que iria embora para morar com o pai. Ela vacilou, mas eu tomei a frente e disse que ele devia ir mesmo morar com o pai, quem sabe assim ele aprendia a diferença entre os dois. O que nem eu, e nem minha esposa contávamos, era que o pai dele, para atingi-la, usaria o próprio filho destruindo-o.
Achamos que ele estava instalado na casa do pai e como ele não queria aproximação, deixamos a poeira assentar, até que, para infelicidade deles, eu trabalhei com um roteirista que estava morando exatamente aonde o pai o havia instalado sozinho, com apenas 15 anos. Quando a porta do elevador abriu e ele me viu, gelou, gaguejou e pressionado acabou confessando que estava morando ali.
Eu contei para minha esposa o que estava acontecendo e ela duvidou, então combinamos de ir visitá-lo. Quando ele abriu a porta ela quase desmaiou. Entramos, e enquanto eles conversavam em um dos cômodos (na verdade era uma quitinete de 20m² dividida por biombos), eu fotografava as condições em que ele vivia.
Em menos de uma semana, entramos com uma ação contra o pai, que a esta altura, já o deixara abandonar a escola e nem sabia no que o filho estava envolvido. A decisão da juíza foi de que, ele deveria assumir a formação escolar do filho, tratamento psicológico, vestuário, alimentação, transporte e tudo o quanto se negou a dar a vida toda.
Achamos que isso seria suficiente para ele voltar a morar conosco, compreendendo a péssima escolha que havia feito, mas seu caráter já estava formado e sua índole já mostrara sua pior face. Ele não veio, ficou com o pai e como este não ligava para nada, ele não só continuou nas drogas, como passou a subir morros e a traficar pequenas quantidades para os amigos.
Não demorou muito para a casa cair e aos 16 anos fomos chamados para retirá-lo de uma delegacia. Desesperada minha esposa me pediu para aceitá-lo sem criar resistência pq ela faria de tudo para recuperá-lo e contava comigo. Não podia dizer não, afinal eu Tb tenho dois filhos e gostaria que ela os aceitasse se a situação fosse inversa.
Com a promessa de que estudaria, se enquadraria na rotina da casa e respeitaria a hierarquia, ele voltou, mas ninguém muda de uma hora para outra. Em pouco tempo minha vida virou um inferno e minha esposa se negava a aceitar que o filho era um mau caráter.
Com a máxima de que, para vencer o inimigo é preciso juntar-se a ele, estrategicamente começou a me defender contra a mãe em questões sem importância, aumentando a tensão e querendo demonstrar uma amizade que não tínhamos. Para mim era inconcebível que um ser humano pudesse ser tão frio a ponto de prejudicar àqueles a quem dizem amar.
Nesse mesmo período, meu filho mais velho, pediu-me para morar conosco e eu deixei, afinal, sentia muito a falta dos dois., e com um morando comigo, talvez o outro viesse em seguida. Mobiliei o quarto para que coubessem três garotos confortavelmente, para que não houvessem brigas por ciúmes. Mas em pouco tempo descobri que esse foi o meu maior erro, pois ainda não sabia do que meu enteado era capaz. Quando me dei conta, ele estava iniciando meu filho mais velho no mundo das drogas.
A primeira providência foi retirar meu filho de casa e mandá-lo novamente morar com a mãe, mas ele não entendeu o que estava acontecendo, negou que tivesse feito algo errado e me desafiou. Dei-lhe algumas palmadas na bunda e no dia seguinte o mandei para a escola com a ordem de que voltaria para a casa da mãe e ponto final. Não sabia que isso teria um desdobramento que me derrubaria.
Mostrei todas as evidências para a minha esposa de que, seu filho, àão só estava de volta a velha rotina, como tb prejudicava a saúde do meu filho. Ela pediu um tempo para pensar sobre o que faria e este tempo foi o que ele usou para dizer que eu consumia drogas junto com ele.
Por incrível que pareça ela acreditou e, cega, como toda mãe que prefere enfiar a cabeça na terra como um avestruz para não enxergar os defeitos nos seus filhos, acusou-me de ser sempre contra seu filho e perseguí-lo. Um discurso encomendado que eu já sabia quem era o autor.
Não me restou mais nada a fazer do que sair de casa e voltar para o meu imóvel. Só que junto comigo veio uma terrível depressão, pois estava longe da mulher que amo e sem poder ver meus filhos que se recusavam em me ver, ou falar comigo, pq para o meu azar, a mãe deles, ao invés de me agradecer por defender a saúde e integridade psíquica dos meninos, preferiu jogar-me contra eles dizendo que eu havia preferido ser o pai do meu enteado e que tinha expulsado eles da minha casa a socos e pontapés.
O resultado disso, foi o afastamento dos meus filhos e 47 comprimidos de Bromazepan misturados com 23 de Rivotril e metade de uma garrafa de Ballantines e um corpo caído no chão da sala.
O resto eu conto depois.
Um abraço.
Este blog carrega bem mais rapidamente que o antigo, facilita pra acompanharmos.
ResponderExcluirIsso é um conto, ou de fato uma história verídica?
ResponderExcluirMas você não tem Que Se culpar. Fez o que era correto.
ResponderExcluirParece mais um conto
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