Depois de muito tempo sem arriscar novos relacionamentos, escolhi uma mulher do meu trabalho para casar. Ainda impregnado de falsos valores, escolhi uma bem bonita e com um corpo escultural. Em pouco tempo me apaixonei e como todo bipolar, não dei nem tempo de conhecer a pessoa profundamente.
Em um mês apenas, já estava morando junto, com mais dois, estava casado, mais um ano, já era pai do meu primeiro filho, treze meses depois, era pai do segundo e no fim do terceiro ano de relacionamento, antes de completar quatro, o casamento chegava ao fim.
Assim que o meu primeiro filho nasceu, a mãe deles teve o que chamam de depressão pós-parto, aquilo acabou comigo. Falo mãe deles porque não tolero nem chamá-la pelo nome. Se tem algo que eu me arrependa na vida, foi ter conhecido esta pessoa, foi um azar para mim, sobre todos os aspectos e vocês verão o motivo. Pois bem, durante todo o período em que ela estava grávida, reformei o quartinho dele, eu mesmo, sem ajuda. Construí um ambiente que eu mesmo não tinha recebido dos meus pais, mas ela conseguiu jogar um balde de água fria na minha cabeça. Dali pra frente o casamento ficou uma merda.
Quando nasceu o segundo filho, já estávamos forçando uma barra, mas como eu queria muito ser pai e me alegrava muito ver a felicidade do meu avô, agora saindo da cama para passear comigo e com os bisnetos, fui empurrando com a barriga, mas a data de validade já estava com o prazo vencido.
Quando enfim decidi me separar, a infeliz usou as crianças contra mim. Fiquei fragilizado. Meus filhos eram as únicas coisas que me restavam. Pouco tempo depois, meu avô morreria e eu estava literalmente só. Sem ânimo para mais nada, comecei a faltar ao trabalho.
No início, levaram em consideração meus últimos acontecimentos e me deram todas as vantagens que um emprego público federal pode oferecer. Dias em casa para descansar, férias acumuladas, licença prêmio e atestados médicos. Fiquei uns sete meses em casa sem ninguém me aporrinhar. Só queria saber dos meus filhos, mas a bandida sumiu com eles. Quando finalmente os achei, estavam com medo de mim pela quantidade de histórias horríveis que ela contou a meus respeito. Nem posso dizer que tenha inventado tudo, afinal, eu mesmo já relatei aqui o que fazia, mas a forma como fez, foi baixa, covarde, vil.
A cena de ver meus filhos fugindo de mim foi forte demais. O menor chegou a chorar quando me aproximei e o mais velho, que foi o que eu mais convivi, escondeu-se de mim. Aquilo me derrubou. Sai dali arrasado. Fui direto para o trabalho. Invadi uma reunião e disse que estava me demitindo. A diretoria ficou atônita, um disse que eu não podia fazer aquilo, outro que eu precisava me tratar, outro ainda que eu estava atrapalhando e que saísse e esperasse a vez para tratar de assuntos particulares. Resultado. Mandei todo mundo tomar no cú, botei o dedo na cara desse último e disse que o meu assunto particular passara a ser enfiar-lhe a porrada.
Sai dali, passei no RH e disse que estava me demitindo. Próximo passo foi chamar meu advogado, fazer um testamento para garantir os garotos e dar adeus pra vida. Acordei dois dias depois internado em uma clínica psiquiátrica. Nesse período surtei pelo menos mais umas duas vezes. Em uma delas, quebrei um enfermeiro na porrada. Só soube disso depois. Fiquei penalizado e passei a ajudá-lo financeiramente. Sempre fui assim. Na hora da briga eu não paro de bater, mas depois que a pessoa não reage eu paro, fico com pena e até cuido. Lembro que na infância e adolescência, cheguei a cuidar dos ferimentos dos meus adversários por pena. Gostaria de ter encontrado alguém que tivesse dado um fim a isso, mas nunca tive essa sorte.
Como fiquei com medo de ficar naquele lugar pra sempre, dei um jeito de fugir pulando o muro da clínica. Como estava com barba e cabelos compridos, a primeira providência, foi pedir esmolas. Arrumei uns R$ 10,00 e fui direto cortar os cabelos e fazer a barba. Depois fui pra minha casa, falei com o advogado e um médico amigo meu que trataram de resolver os problemas na clínica.
Antes que a demissão se concretizasse, entrei com várias ações trabalhistas que até então não havia entrado por ocupar uma posição de chefia e desenvolvi um projeto para tentar suportar o afastamento das crianças. Em seis meses estava embarcando a bordo de uma pick-up 4X4 em direção ao ponto mais distante ao norte da linha do Equador. Seria uma viagem só de ida, mas o mergulho interior foi tão profundo que quando o pé alcançou o fundo do poço, decidi impulsionar-me de volta à tona.
Mas isso eu só revelo no outro artigo.
Um abraço.
PS: Siga-me no Twitter @diabipolar
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