sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

1990 - DEPOIS DA BONANÇA, VEIO UMA TERRÍVEL TEMPESTADE

Como sempre tive características de liderança, não foi difícil adaptar-me o trabalho e em pouco tempo fui convidado para liderar uma equipe. 

Durante todo o tempo em que estive a frente do meu setor, nunca tive maiores problemas com meus subordinados. Procurava ser o mais justo possível, estabelecendo metas e premiações, ninguém estava insatisfeito, a não ser é claro a turma que não gostava de trabalhar, que “matava” algum parente para faltar ao trabalho, que visivelmente explorava a empresa e sobrecarregava os outros funcionários. Para estes eu fui um carrasco implacável. Tinha também os outros chefes de outros setores que tentavam me dar uma rasteira, mas aí entrava o meu temperamento desafiador. Quando percebia que algum deles estava tentando me prejudicar em alguma reunião, imediatamente expunha os defeitos do seu setor, suas limitações como chefe e o desejo externado por vários de seus subordinados em querer trabalhar comigo. Não preciso dizer que arrumei muitos desafetos por causa disso, né?


Enquanto o tempo passava consegui conciliar duas faculdades e mais o trabalho, além dos torneios de lutas que participava, mas nenhuma relação amorosa. Claro que tive várias namoradas, mas a menor possibilidade da relação ficar mais séria, terminava, na minha cabeça, casamentos, sempre seriam como os dos meus pais, sem respeito, com brigas e traições.

Foi quando conheci minha primeira esposa. Uma mulher lindíssima, com um corpo exuberante, mas com o caráter rasteiro. Deixei-me levar pelo exterior e quando me dei conta, estava com um par de chifres na testa com apenas 10 meses de casado. No mesmo período minha avó morreu e meu avô descobriu que estava com câncer. Foi muito punk.

A primeira coisa que fiz foi tentar matá-la, cheguei a sufocá-la com um estrangulamento, mas ao mesmo tempo em que a estrangulava pensava na minha vida atrás das grades. Então fui afrouxando a gravata até que a libertei. Dois dias depois, ela teve a audácia de vir com o amante na minha porta para buscar suas coisas. Cobri o cara de porrada. Ela teve que contratar um caminhão para fazer o frete. O cara hoje é um proeminente juiz que vive na mídia e tem pavor de me encontrar. Já aconteceu de nos encontrarmos casualmente numa estação do Metrô, e ao me ver desesperou-se e se afastou, mas eu o segui sem nada fazer, apenas para vê-lo demonstrar sua covardia. 

Analisando este caso, não posso culpá-la de todo, meu temperamento muitas vezes grosseiro, facilitou o desdobramento das ações contra mim, mas eu não tinha essa compreensão  à época. Achava que a culpa era somente dela. O balanço positivo, é que eu não a matei, e hoje, ela vive feliz com o tal juiz, têm dois filhos, e eu não fui preso.

Depois de perder meus pais, ou melhor, esses eu nunca tive de verdade, perder minha avó foi muito ruim para a minha cabeça e claro, fracassar no primeiro casamento, depois de escolher tanto, também não foi nada bom.

Mergulhei profundamente no meu trabalho desde então e, condenei-me ao exílio afetivo por 5 longos anos. Não tinha mais hora para entrar ou de sair do trabalho, foi o período onde ganhei mais dinheiro e promoções, mas os episódios de depressão começavam a aumentar, sem que ninguém percebesse. 

Pensava sempre no meu avô, que partiria a qualquer momento e me deixaria sozinho, abandonado no mundo, um mundo sem amor, materialista, sem emoção, interesseiro. Tratei de postergar ao máximo o dia de sua partida. Levava-o ao médico, oferecia o melhor em termos de tratamento, não que ele precisasse, mas era a minha forma de contribuir para tê-lo mais tempo ao meu lado. Ainda hoje sinto a sua falta. 

Afirmo com segurança que ele foi meu único e verdadeiro amigo. Era ele quem me levava ao cinema e ao teatro quando eu era criança, era para mim que ele confidenciava seus segredos, suas decepções com meu pai. Um dos melhores programas que gostava de fazer, era pegá-lo para passear, levá-lo ao Jockey, ao cinema, para lanchar. Mas ainda era pouco. 

A minha maior felicidade era ser pai, e sabia que, dar-lhe um bisneto, iria fazê-lo muito feliz. Depois, o equilíbrio humano se baseia em um tripé: trabalho, amor e lazer e se, faltar um destes elementos, é sinal de que algo vai errado. No meu caso faltava um amor.

Cinco anos depois, após muitos namoricos e flertes sem importância, decidi abrir meu coração mais uma vez e o resultado..... 

Eu conto no próximo artigo. 
 
Um abraço.
PS: Siga-me no Twitter  @diabipolar

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