Dos 13 aos 24 anos minha vida foi uma grande aventura. Pelo que me lembro, embora minha cabeça não seja mais a mesma, por causa de todos os remédios que tomei e dos apagões que tive, tenho contabilizeado dezenove entradas no pronto-socorro.
Quebrei vários dedos da mão, braço, só na cabeça tenho 14 pontos. fui atropelado uma vez, pulei da varanda do primeiro andar com um guarda-chuva aberto, e quebrei a perna, tenho várias cicatrizes de cortes nas mãos e nos dedos, feitos com facas, canivetes, cacosde vidro, pulando muros, fugi de vigias de colégios que dispararam tiros de sal contra mim, dei tiro com espingarda de chumbinho na direção da cabeça de amigos, só para mostrar minha perícia tirando seus chapéus, no sítio que meus avós tinham, nunca errei um tiro, mas eles só ficavam sabendo disso depois, briguei com muitos motoristas de táxi, trocadores de ônibus, seguranças de boate, fui expulso de duas cidades em Minas Gerais, Cataguazes e Leopoldina.
Enfrentei assaltantes e me atraquei com pelo menos dois deles, pulei de ônibus em movimento, peguei carona pendurado em traseira de caminhão, pulei da pedra do Arpoador, nadei em rio caudaloso, fiz racha com o carro do meu pai, sem ele saber, pulei o portão do Maracanã várias vezes para assistir aos jogos, fugi da polícia no Maracanã por brigar com a torcida adversária, penetrei festas, fui proibido de entrar em várias boates, briguei dentro do bondinho do Pão de Açúcar, namorei muitas garotas, magoei a maioria delas, impliquei e perturbei a vida de um monte de garotos e garotas, hoje chamam isso de Bullying, fui suspenso várias vezes, cansei de comer biscoito, chocolate, pão e tudo que me desse vontade nos supermercados sem pagar, logicamente, viajei sozinho para outro Estado e só avisei quando cheguei lá depois de 3 dias, isso numa época em que grassava no RJ o seqüestro de garotos de classe média, viajei para os Estados Unidos e roubei tantas camisas de malhas e bermudas que, até hoje, por incrível que pareça, ainda tenho peças novas.
Quebrei vários dedos da mão, braço, só na cabeça tenho 14 pontos. fui atropelado uma vez, pulei da varanda do primeiro andar com um guarda-chuva aberto, e quebrei a perna, tenho várias cicatrizes de cortes nas mãos e nos dedos, feitos com facas, canivetes, cacosde vidro, pulando muros, fugi de vigias de colégios que dispararam tiros de sal contra mim, dei tiro com espingarda de chumbinho na direção da cabeça de amigos, só para mostrar minha perícia tirando seus chapéus, no sítio que meus avós tinham, nunca errei um tiro, mas eles só ficavam sabendo disso depois, briguei com muitos motoristas de táxi, trocadores de ônibus, seguranças de boate, fui expulso de duas cidades em Minas Gerais, Cataguazes e Leopoldina.
Enfrentei assaltantes e me atraquei com pelo menos dois deles, pulei de ônibus em movimento, peguei carona pendurado em traseira de caminhão, pulei da pedra do Arpoador, nadei em rio caudaloso, fiz racha com o carro do meu pai, sem ele saber, pulei o portão do Maracanã várias vezes para assistir aos jogos, fugi da polícia no Maracanã por brigar com a torcida adversária, penetrei festas, fui proibido de entrar em várias boates, briguei dentro do bondinho do Pão de Açúcar, namorei muitas garotas, magoei a maioria delas, impliquei e perturbei a vida de um monte de garotos e garotas, hoje chamam isso de Bullying, fui suspenso várias vezes, cansei de comer biscoito, chocolate, pão e tudo que me desse vontade nos supermercados sem pagar, logicamente, viajei sozinho para outro Estado e só avisei quando cheguei lá depois de 3 dias, isso numa época em que grassava no RJ o seqüestro de garotos de classe média, viajei para os Estados Unidos e roubei tantas camisas de malhas e bermudas que, até hoje, por incrível que pareça, ainda tenho peças novas.
Ufa!!! Chegar até aqui, pode parecer bacana para alguns, por causa das aventuras, mas me trouxeram muitas marcas que eu nunca mais conseguirei apagá-las. Sobrevivi, mas não sei como e cheio de seqüelas.
De tudo o que fiz em excesso, me arrependo. Estive perto da morte muitas vezes. Numa das vezes, pensei em pular da janela do meu quarto no oitavo andar. Fiquei em pé olhando para baixo, segurando nos trincos, as janelas abriam para o lado de fora, mas desisti no último momento. Fiquei com medo de não morrer e ficar imprestável. Vi amigos morrerem em brigas e rachas, outros apanharem muito e ficarem marcados pela perda de uma função motora ou a perda de membros, fui amado e odiado, e ainda me lembro de cada um que incomodei. Não consegui me desculpar com todos, mas tive a sorte de encontrar uma garota, que sofreu na minha mão, e pedi tantas desculpas que ainda hoje acho que não são suficientes. Ela me perdoou e eu retribui o carinho transformando-a em uma personagem de um dos meus livros.
É claro que eu não fiz isso tudo sozinho, sempre tinha alguém do lado, algum amigo tão louco quanto eu. Não conto nenhuma dessas histórias com alegria, muito embora, apesar de me arrepender dos excessos, todas elas tenham servido para me ensinar alguma lição, ainda que de forma enviesada. Foi assim, por exemplo, que parei de brigar na rua.
Era um domingo de sol, eu tinha 24 anos e acabava de chegar da praia e não conseguia entrar com o carro na garagem porque havia um carro estacionado bem na porta da casa, onde eu morava com meus avós. Ao lado de casa, tinha um restaurante e eu raciocinei que o cara só poderia estar lá. Pedi ao garçom para localizar o dono, mas ele me disse que o dono não estava lá, o que era uma descarada mentira,. Das duas uma, ou o garçom nem perguntou, ou então o cara nem esquentou a cabeça.
Determinado que estava, comecei quebrando os faróis e as lanternas com chutes. O cara saiu do restaurante me xingando e aí começou o barraco. Até hoje me lembro da cena. Enquanto o socava, minha avó chorava no portão me pedindo para parar, a mulher dele gritava com uma criança de colo me pedia pra parar e ele já sem forças não esboçava mais reação. Aos poucos fui parando de socá-lo até que o larguei sobre o capô do carro. Fiquei muito mal com aquela cena, muito arrependido mesmo. Tão arrependido que acabei levando-o para a emergência de um hospital.
Sim, era isso o que acontecia comigo quando eu percebia o estrago que tinha feito. Algumas brigas no tempo de colégio terminavam comigo passando gelo no rosto dos adversários. Nunca mais briguei depois deste episódio e prometi a minha avó que nunca mais a faria chorar. Eu amava muito minha avó. Por sorte o cara deixou por isso mesmo, mas fiz questão de pagar os faróis e as lanternas do carro dele. Os tempos eram outros. Hoje estaria preso respondendo a processos.
Tudo isso acontecia, se repetia e eu continuava achando que não tinha problemas. Nunca agi de forma intencional, premeditada, nunca provoquei uma briga, mas também nunca fiz nada para impedir que ela acontecesse. Não sabia por que agia assim, mas uma vez provocado, partia para a ignorância. Para cada adversário eu projetava a imagem de algum desafeto e entre eles figurava meu pai. Por muitos anos tentei justificar meu comportamento pela ausência dele, pelo abandono de casa e pelos prejuízos materiais que nos provocou, mas não o odiava, amava-o muito, sua figura misteriosa ainda me encantava, afinal, os erros que apareciam mais gritantes eram os da minha mãe com os seus desequilíbrios e excessos.
Cresci solto pelas ruas, às leis quem fazia era eu. Obedecia às regras, menos se elas me prejudicassem ou prejudicassem alguém. Não acatava ordens medíocres e se visse alguém que deveria dar o exemplo fazer algo errado, chamava a atenção, mesmo se fossem policiais, aliás, principalmente se fossem os “homens da lei”.
Depois da promessa de não brigar mais, decidi desonerar meus avós e fui procurar um bom trabalho. Antes, só arrumava pequenos serviços, meus avós eram abastados e não queriam que eu trabalhasse e como todo adolescente que gosta de uma moleza, me dedicava à pratica do surf, jiu-jitsu, peladas nos campinhos espalhados pela cidade e aos estudos. Isso era uma coisa que eu tinha muito bem fixado na minha cabeça. Podia ser pobre, não dar pra nada na vida, mas burro eu não seria nunca. Sempre considerei que se tivesse uma bagagem cultural, conhecimentos e formação acadêmica, se por acaso, algum dia, chegasse ao extremo de virar um mendigo, alguém certamente me descobriria e me daria uma oportunidade. Igual ao cara que descobriram nos EUA que era mendigo, mas tem uma voz de radialista fenomenal.
Nunca repeti o ano escolar, me formei em duas faculdades e trabalhei em uma grande empresa por 20 anos, até chutar o pau da barraca, mas isso será o meu próximo artigo.
Gostaria de ler os comentários de vocês, saber que estou sendo lido, ouvir palavras de apoio.
Um abraço.
PS: Siga-me no Twitter @diabipolar
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