Quando deixei meu pai na casa dele desabei a chorar dentro do carro, na volta para a minha casa. Meu filho mais velho era para mim, a pessoa mais importante do mundo, mais importante até do que eu mesmo, embora nunca tivesse deixado isso claro pra ninguém.
Temia que, se ele soubesse, acabasse se transformando em um menino arrogante e prepotente, temia que o meu filho mais novo percebesse e se sentisse desprezado ou rejeitado, temia que minha esposa se sentisse diminuída pelo meu amor por ele e temia por mim, por perder a razão e protegê-lo mais do que devia ou merecia, mas eu o amava com todo o meu amor e projetei nele tudo o que não tive, o amor dos meus pais que me faltou, o desprezo que cada um dos dois sempre demonstraram por mim e por minha irmã, quando não investiram em nossa educação e quando nos internaram em colégios, sem direito à visitas, quando deixaram que nossos avós cuidassem de nós dois como seus filhos, isso não é destino, é sorte e azar. Sorte de termos sido acolhidos por nossos avós e azar por termos nascido de pais tão incompetentes e egoístas.
O que sofri quando criança e adolescente não poderia deixar que ele e o mais novo sofressem, conheço bem os dissabores da vida e os seus avós não seriam nunca como os meus, eles simplesmente não prestavam e não prestam. Do meu lado, um avô irresponsável, egoísta e mau caráter e uma avó desequilibrada, sem valores morais e éticos que possam ajudá-los a discernirem o certo do errado; do lado da mãe, um avô alcoólatra, agressivo, irresponsável e ignorante e uma avó beata, ignorante, que batia nos filhos porque não queriam ir às missas ou porque anão pssavam água benta nos rostos fazendo o sinal da cruz, que diz que o pai deles é um assassino de deus, porque é judeu e que, por isso, vai arder no inferno.
Dentro do carro, de volta para casa, só passava um filme na minha cabeça. Em velocidade acelerada via tudo o que fiz por eles e o pagamento que recebi em troca. A decepção que eles me causaram era muito grande. Foi como se último bastião de fé que eu ainda tinha tivesse sido destruído.
Depois de ver inocentes morrerem em nome de deus deixei de acreditar cegamente nesse deus e fui investigar sobre sua origem, até que perdi completamente a fé ao descobrir que ele não passa de uma invenção do homem; depois que meus avós se foram, não acreditava mais nos homens, depois do episódio com o meu enteado, já não acreditava mais na minha esposa, pois vi o quanto menosprezou todo o meu esforço em evitar que ambos sofressem, pois o fim do marginal seria a cadeia ou uma bala na cabeça, já que subia morros em busca de drogas e depois passou a fabricá-la no armário do próprio quarto, podendo levá-la inclusive em cana, pois ele era menor quando intercedi.
Não duvido do amor dela por mim, eu sei que ela me ama, mas tenho minhas dúvidas se entre eu e o filho bandido, ela me escolheria, mesmo sabendo que ele vai sugar toda a sua vida enquanto continuar lhe dando boa vida, mas é que depois desse episódio, eu perdi a fé em tudo e nela também.
Depois de ver inocentes morrerem em nome de deus deixei de acreditar cegamente nesse deus e fui investigar sobre sua origem, até que perdi completamente a fé ao descobrir que ele não passa de uma invenção do homem; depois que meus avós se foram, não acreditava mais nos homens, depois do episódio com o meu enteado, já não acreditava mais na minha esposa, pois vi o quanto menosprezou todo o meu esforço em evitar que ambos sofressem, pois o fim do marginal seria a cadeia ou uma bala na cabeça, já que subia morros em busca de drogas e depois passou a fabricá-la no armário do próprio quarto, podendo levá-la inclusive em cana, pois ele era menor quando intercedi.
Não duvido do amor dela por mim, eu sei que ela me ama, mas tenho minhas dúvidas se entre eu e o filho bandido, ela me escolheria, mesmo sabendo que ele vai sugar toda a sua vida enquanto continuar lhe dando boa vida, mas é que depois desse episódio, eu perdi a fé em tudo e nela também.
Correndo feito um louco na volta pra casa, pensei em me matar, em atravessar a mureta de proteção e deixar que o carro caísse no mar me levando para o fundo dele e apagasse minha história horrível, pesada, triste e sem a menor chance de ser reescrita. Não havia mais nada por que lutar, não existiam mais meus avós, e agora, nem meus filhos.
O meu filho mais novo eu já não via fazia seis meses, desde quando meu filho mais velho saiu da minha casa. Meu pai morria de câncer aos poucos, minha mãe me aporrinhava preocupada com o que sobraria para ela no caso dele morrer, mesmo estando separada dele vinte e oito anos e ele vivendo com outra mulher todo esse tempo, minha irmã só pensava em se vingar da companheira do meu pai que por sinal não vale a merda que caga, me desculpem esse termo, mas ela matou meu pai, depois eu conto isso.
O meu filho mais novo eu já não via fazia seis meses, desde quando meu filho mais velho saiu da minha casa. Meu pai morria de câncer aos poucos, minha mãe me aporrinhava preocupada com o que sobraria para ela no caso dele morrer, mesmo estando separada dele vinte e oito anos e ele vivendo com outra mulher todo esse tempo, minha irmã só pensava em se vingar da companheira do meu pai que por sinal não vale a merda que caga, me desculpem esse termo, mas ela matou meu pai, depois eu conto isso.
Foi quando então, roubei três folhas do receituário azul da minha esposa, falsifiquei a assinatura dela e usei seu carimbo para comprar seis caixas de Rivotril. Até hoje eu não me lembro de mais nada, nem mesmo da internação, apaguei da minha memória completamente. Não sei se fazia isso com a intenção de morrer, mas a sensação de esquecer tudo e todos era muito boa e é isso que ainda me tenta a pensar em fazer uma nova investida. Estou controlado, é verdade, e quando esse pensamento vem muito forte, eu já o reconheço e peço para que minha esposa retire todos os remédios de perto de mim.
Bom, um ano e meio depois, meu pai estava morto, meu enteado estava em outro país sugando o dinheiro da mãe e vivendo sem a menor responsabilidade com a anuência dela e eu não via mais meus filhos. Minha irmã que também é minha advogada, me disse que a denúncia na delegacia de menores se transformara em um processo e que haveria uma audiência para que eu fosse ouvido.
Pois bem, compareci, com todas as testemunhas que podiam confirmar que este menino sempre foi muito bem tratado, recebeu amor e carinho e todas as oportunidades que um pai responsável e com condições poderia lhe oferecer.
Entre as testemunhas, havia um desembargador, um juiz federal, um amigo que morou comigo e viu o que eu passava para cuidar deles quando a mãe simplesmente os abandonava em minha casa para sair com seus namorados, uma amiga do trabalho que cansou de vê-los frequentarem meu ambiente de trabalho.
Do lado da mãe, nenhuma testemunha para dizer que eu o havia agredido, nem o motorista da van que o levou para o colégio e que podia atestar que ele estava machucado, ninguém do colégio, nem inspetores, nem as pessoas da enfermaria que poderiam atestar que ele chegou machucado, nada, nem ninguém, apenas ela e ele.
Entre as testemunhas, havia um desembargador, um juiz federal, um amigo que morou comigo e viu o que eu passava para cuidar deles quando a mãe simplesmente os abandonava em minha casa para sair com seus namorados, uma amiga do trabalho que cansou de vê-los frequentarem meu ambiente de trabalho.
Do lado da mãe, nenhuma testemunha para dizer que eu o havia agredido, nem o motorista da van que o levou para o colégio e que podia atestar que ele estava machucado, ninguém do colégio, nem inspetores, nem as pessoas da enfermaria que poderiam atestar que ele chegou machucado, nada, nem ninguém, apenas ela e ele.
Quando eles chegaram eu o chamei:
_Filho, nós já estamos sem nos falar faz um ano e meio, você não vai dar um abraço no seu pai?
Tudo o que consegui com isso, foi que a mãe pedisse ao juiz que ele não depusesse na minha frente porque se sentia constrangido, mas eu sei que não foi por constrangimento que ele não ficou de frente para mim e sim, porque ficaria envergonhado de sustentar tamanha mentira.
Circo armado, fui apresentado a seguinte situação: ou continuava o processo para provar minha inocência, com novas audiências, nova exposição dele no tribunal, ou faria um acordo, onde deveria comparecer bimestralmente no cartório da vara para assinar presença e se no período de dois anos eu não tivesse nenhum processo criminal tudo seria arquivado.
Minha irmã e todos os parentes e amigos pediram que eu continuasse com o processo, que era um absurdo o que a mãe e ele estavam fazendo, mas eu não fiz nada disso, a sentença para ele já estava tatuada em sua alma. Pra toda vida ele vai carregar o fato de que mentiu contra seu pai, testemunhou contra a pessoa que mais o amou na vida e acabou por perdê-lo aos poucos, até que não sobrasse mais nada.
Minha irmã e todos os parentes e amigos pediram que eu continuasse com o processo, que era um absurdo o que a mãe e ele estavam fazendo, mas eu não fiz nada disso, a sentença para ele já estava tatuada em sua alma. Pra toda vida ele vai carregar o fato de que mentiu contra seu pai, testemunhou contra a pessoa que mais o amou na vida e acabou por perdê-lo aos poucos, até que não sobrasse mais nada.
O mais engraçado, foi que durante esse período, fui procurado duas vezes pelo colégio dele para que autorizasse sua viagem para fora do Brasil para disputar torneios esportivos e sempre fui pressionado para que não desse a autorização, para que o castigasse me negando a participar de qualquer coisa que o ajudasse na vida.
Cada vez mais eu ficava impressionado com a dureza e a frieza das pessoas, dos parentes dele, tios, primos, mas preferi não agir assim, minha consciência é quem dita minhas ações. Dei as autorizações e secretamente acompanhei suas viagens, assisti calado suas conquistas em torneios internacionais e sempre esperei que ao retornar, me mandasse as fotos, me procurasse ou pelo menos agradecesse, mas ele nunca fez isso.
Cada vez mais eu ficava impressionado com a dureza e a frieza das pessoas, dos parentes dele, tios, primos, mas preferi não agir assim, minha consciência é quem dita minhas ações. Dei as autorizações e secretamente acompanhei suas viagens, assisti calado suas conquistas em torneios internacionais e sempre esperei que ao retornar, me mandasse as fotos, me procurasse ou pelo menos agradecesse, mas ele nunca fez isso.
Conforme o tempo foi passando, eu sofri mais, sem tê-lo por perto há dois anos e sem o caçula sempre seis meses a mais, fui passando por um misto de raiva, pena, perdão, até que completamos quatro anos sem nos vermos, sem fazermos qualquer contato.
Ainda me esforço para compreender o que foi capaz de afastá-los de mim. Como essa mãe é má, como pude escolher tão mal. Ofereci sempre o melhor, me doei, me anulei, investi, dei amor, carinho e só os tirei da minha casa por causa do infeliz do meu enteado que poderia levá-los para o vício. Que pai ou mãe, que zele por seus filhos não tentará protegê-los dessa forma?
Ainda me esforço para compreender o que foi capaz de afastá-los de mim. Como essa mãe é má, como pude escolher tão mal. Ofereci sempre o melhor, me doei, me anulei, investi, dei amor, carinho e só os tirei da minha casa por causa do infeliz do meu enteado que poderia levá-los para o vício. Que pai ou mãe, que zele por seus filhos não tentará protegê-los dessa forma?
Minha consciência repousa tranquila, tudo fiz para que nunca pudessem me acusar de omissão, de abandono, de não ter tentado. Nesses quatro anos, liguei, mandei e-mail, procurei, me expus, passei vários constrangimentos, recebi inúmeros NÃOS como resposta e nunca diretamente, sempre com alguém mediando, nem mesmo os pedidos para que viagem, façam cursos, ou estudem no mesmo colégio, partem deles.
Nunca deixei de participar financeiramente e ao me separar deixei um apartamento de quatro quartos para eles e para a mãe. Quem faz isso? Fui eu quem conseguiu que eles estudassem em um bom colégio, todos os cursos e escolinhas que pediram para participar eu pagava, mas o mais importante que dei foi o meu amor, mas eles recusaram e agora já é tarde para recuperá-lo. Hoje, sei que ela diz que foi ela quem consquistou tudo. Das duas uma, ou eles sofrem de amnésia ou são tão mau caráter quanto a mãe.
Nunca deixei de participar financeiramente e ao me separar deixei um apartamento de quatro quartos para eles e para a mãe. Quem faz isso? Fui eu quem conseguiu que eles estudassem em um bom colégio, todos os cursos e escolinhas que pediram para participar eu pagava, mas o mais importante que dei foi o meu amor, mas eles recusaram e agora já é tarde para recuperá-lo. Hoje, sei que ela diz que foi ela quem consquistou tudo. Das duas uma, ou eles sofrem de amnésia ou são tão mau caráter quanto a mãe.
Apaguei todas as fotos que tinha, queimei outras tantas, retirei os porta-retrados e tudo o que me lembrasse eles, de perto de mim. Enquanto forem dependentes pagarei tudo, pois eu sei o que é ser criança ou adolescente e ser prejudicado pela mesquinharia de pais egoístas, mas até fazerem dezoito anos, só autorizo a viajarem se eles mesmo pedirem, é minha última maneira de conseguir me aproximar.
Hoje eles têm catorze e quinze anos e eu não sei nada da vida deles, minha memória afetiva em meus sonhos só me mostra eles crianças. Isso é algo que estou trabalhando na terapia, mas que confesso está me matando. A vida perdeu a graça, eu perdi o tesão de viver ou lutar para viver.
A realidade é dura, não existem milagres, ninguém vai interceder em favor de ninguém, porque é preciso que cada um cumpra seu papel e assuma as consequências das escolhas certas ou erradas que fazemos na vida.
A realidade é dura, não existem milagres, ninguém vai interceder em favor de ninguém, porque é preciso que cada um cumpra seu papel e assuma as consequências das escolhas certas ou erradas que fazemos na vida.
Ainda choro quando trato deste assunto e isso não é de todo ruim, porque significa que eu ainda os amo, mas sei que não é mais como antes, sempre haverá dúvida e desconfiança de ambas as partes, se um dia voltarmos a nos falar.
Sinto minha vida atrelada ao passado. Não quero avançar, talvez por medo de constatar que tudo acabou.
O passado é o que ainda me mantém vivo.
O futuro é sombrio, solitário, vazio.
Não espero nada dele...Estou chorando.
O passado é o que ainda me mantém vivo.
O futuro é sombrio, solitário, vazio.
Não espero nada dele...Estou chorando.
Acho que por hoje é isso...
Se puder, comentem, não sei o que vai acontecer quando eu terminar de escrever minhas memórias, não ameaço me matar e nem digo que vou viver em paz. Escrever me distrai, me faz avançar mais um dia, outro dia e outro, e outro.......
grande diario suas historias são emocionantes e muito bem escritas...
ResponderExcluirabrações e te cuida
MEU AMIGO :( ATÉ EU CHOREI AO LER MAS SABE O Q SENTI DEPOIS ?
ResponderExcluirQ VC TÁ FAZENDO CERTO EM ESCREVER TUDO Q VC PASSOU E PASSA, QUEM SABE ESSA NÃO É UMA MANEIRA DE UM FUTURO LIVRE DE AMARGUIRAR EU CREIO NISSO ?
AMIGUINHO ? CREIA Q VC TÁ SEGUINDO O CAMINHO CORRETO, VC VAI SER FELIZ E MUITO VIU ?
BEIJOS NO CORAÇÃO !